A derrubada do avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia pode
ser considerada um crime de guerra, comunicou a Organização das Nações
Unidas a (ONU) nesta segunda-feira, acrescentando que os combates entre o
Exército ucraniano e os rebeldes pró-russos já deixaram mais de 1.100
mortos desde abril. "Esta violação da lei internacional, dadas as
circunstâncias, pode ser considerada um crime de guerra", declarou a
comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Em um
comunicado, Pillay pediu uma investigação meticulosa, efetiva,
independente e imparcial sobre a derrubada do avião
por um míssil disparado de uma zona controlada pelos separatistas
ucranianos no último dia 17. No Boeing 777 malaio havia 298 pessoas e
todas morreram.
Caixas-pretas – Análises da
caixa-preta com os dados de voo do avião malaio mostram que a
aeronave foi destruída por estilhaços vindos da explosão de um míssil e
caiu devido a "grande descompressão explosiva", disse uma autoridade do
setor de segurança da Ucrânia nesta segunda-feira. O porta-voz do
Conselho de Segurança da Ucrânia, Andriy Lysenko, declarou em entrevista
à imprensa em Kiev que a informação foi dada por peritos que analisam
os registros de voo do avião derrubado. A Grã-Bretanha está encarregada
de baixar os dados das duas caixas-pretas recuperadas no local do
desastre e entregar a informação para investigadores internacionais que
farão a análise.
Combates – Pelo menos três civis
foram mortos durante a noite de domingo para segunda-feira em combates
no leste da Ucrânia enquanto as tropas do governo intensificavam sua
campanha contra rebeldes pró-Rússia, tomando o controle de uma
estratégica área perto de onde o voo MH17 da Malaysia Airlines caiu,
disseram autoridades nesta segunda-feira. Pesados confrontos nas
imediações do local do desastre impediram que monitores internacionais
chegassem ao local no domingo para investigar a derrubada do avião.
Líderes ocidentais dizem ser praticamente certo que os separatistas
abateram o avião por engano, usando mísseis terra-ar fornecido pelos
russos. A Rússia acusa Kiev de responsabilidade pela derrubada.
O governo ucraniano afirmou nesta segunda-feira que suas tropas
recapturaram o controle de Savur Mogila, uma localidade estratégica a 30
quilômetros de onde o Boeing da Malaysia Airlines caiu em 17 de julho.
Os peritos vão tentar retomar seus esforços nesta segunda-feira para
chegar ao local da queda, ainda em território sob controle rebelde.
Bloqueios de estrada entre a cidade de Donetsk e o local são controlados
ora pelo Exército ucraniano, ora pelas forças separatistas, que acusam
uns aos outros de impedirem o acesso dos peritos à área.
Números – A Cruz Vermelha indicou oficialmente na
semana passada que a situação na Ucrânia se caracteriza como uma guerra
civil, o que transforma as áreas em conflito passíveis de serem
condenadas por crimes de guerra. A ONU calcula que ao menos 1.129
pessoas morreram nos combates na região desde meados de abril, segundo
um relatório publicado nesta segunda-feira, e denuncia que o uso de
armamento pesado em zonas residenciais. O texto também fala de 3.422
feridos.
Estes últimos dados divulgados pela ONU indicam um aumento
considerável no número de vítimas no confronto na Ucrânia em relação ao
balanço de 18 de julho, no qual a organização citou 256 mortos desde
abril. A comissária da ONU para os Direitos Humanos afirmou ainda que as
informações da intensificação dos combates nos redutos dos insurgentes,
nas regiões de Donetsk e Lugansk, são "extremadamente alarmantes" e
destacou que as duas partes "empregam armamento pesado em zonas
residenciais, incluindo artilharia, tanques, foguetes e mísseis".
(Com agências France-Presse e EFE)
(Postagem original: Veja.com)
hmm.. mt interessante
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